Estima-se que 6,8% da população global possua algum tipo de moeda digital, o que significa que há centenas de milhões de pessoas usando carteiras de cripto. Existem dois modelos básicos de carteiras de cripto: custodiais e não custodiais. Embora pareçam semelhantes, eles adotam abordagens opostas em relação ao controle de chaves, segurança e responsabilidade. O modelo que você escolher determinará como você lidará com fatores como controle de ativos e gerenciamento de riscos.
Compreender as principais diferenças entre carteiras custodiais e não custodiais pode tornar sua decisão mais fácil, além de esclarecer o panorama geral do universo cripto. A seguir, exploraremos como esses modelos funcionam, os riscos de cada um e como escolher a melhor opção para o seu negócio.
O que vamos abordar neste artigo?
- O que é uma carteira custodial vs. não custodial?
- Como a usabilidade difere entre modelos custodiais e não custodiais?
- Quais são os riscos de cada modelo de carteira?
- Como sua organização pode escolher o modelo de carteira certo
- Como a Stripe pode ajudar
O que é uma carteira custodial vs. não custodial?
Carteiras custodiais e não custodiais são diferentes tipos de carteiras digitais para cripto.
Uma carteira de cripto é o ponto de entrada para moedas digitais baseadas em blockchain. Em vez de reter fundos diretamente, as carteiras de cripto armazenam as chaves privadas necessárias para comprovar a propriedade de moedas digitais em um endereço específico da blockchain.
Existem duas categorias de carteiras de cripto com base na custódia: custodiais e não custodiais.
Carteiras custodiais
Com uma carteira custodial, uma parte externa — geralmente uma plataforma de negociação de cripto ou um serviço financeiro — mantém e gerencia as chaves privadas que dão acesso aos seus ativos digitais.
Muitos usuários iniciantes de cripto optam por uma carteira custodial. Usá-la é semelhante a acessar qualquer outra conta financeira: você insere seu nome de usuário, sua senha e, possivelmente, uma verificação de dois fatores, e o serviço cuida do restante. Você não precisa se preocupar com o gerenciamento de chaves ou frases de backup e, se perder o acesso à sua conta, normalmente existe um caminho de recuperação. Bons provedores custodiais contam com processos sólidos de segurança: mantêm a maior parte dos ativos dos clientes em armazenamento a frio, utilizam autorização multifirma para grandes saques e criptografam suas chaves.
A desvantagem é que o custodiante também detém certo controle. Ele pode impor limites de saque, pausar transferências durante investigações ou exigir verificações de identidade. Você também está confiando a ele o seu dinheiro. Se o custodiante sofrer uma violação de segurança, enfrentar indisponibilidade ou problemas financeiros, isso pode prejudicar seu acesso aos fundos.
Carteiras não custodiais
Uma carteira não custodial é o oposto da custodial: você mantém suas próprias chaves privadas, e nenhuma parte externa pode acessar ou movimentar os fundos. Ao criar uma carteira não custodial, ela gera uma frase-semente, geralmente composta por 12 ou 24 palavras, que pode regenerar as chaves privadas associadas, as quais controlam o acesso aos ativos nos endereços da blockchain. Embora o software da carteira ajude no uso da chave, normalmente ele nunca mantém uma cópia, e o controle permanece totalmente com você.
Esse modelo atrai pessoas que frequentam sistemas descentralizados. Se você estiver usando protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) ou negociando onchain, carteiras não custodiais são a norma. Em vez de depositar ativos em uma plataforma, você conecta sua carteira diretamente a um aplicativo, o que significa que os fundos permanecem em sua posse, a menos que você assine explicitamente uma transação.
Uma carteira não custodial não pode congelar seus ativos, nunca alterará seus termos e é imune a falhas corporativas. A desvantagem é que você assume total responsabilidade pela sua chave. Não há equipe de recuperação nem redefinição de senha — uma chave perdida significa que seu dinheiro está perdido para sempre. E, como malware, phishing ou armazenamento descuidado podem colocar seus fundos em risco, a proteção do dispositivo pessoal é essencial.
Como a usabilidade difere entre modelos custodiais e não custodiais?
Embora o controle de chaves diferencie carteiras custodiais e não custodiais, é na usabilidade que a diferença se torna mais evidente. As carteiras custodiais priorizam o atendimento ao cliente, enquanto as não custodiais oferecem controle direto.
Veja como é utilizar cada modelo:
Primeiros passos: carteiras custodiais fazem onboarding de usuários por meio de um fluxo familiar de criação de conta. Carteiras não custodiais exigem que os usuários protejam sua frase de recuperação desde o início, o que pode parecer arriscado para quem é novo em cripto.
Experiência diária:carteiras custodiais oferecem uma interface que reúne compra, negociação e transferências. As equipes de suporte podem ajudar caso os clientes tenham algum problema. Carteiras não custodiais colocam os usuários diretamente em um ecossistema de blockchain. Isso é mais direto, mas também exige mais atenção a tarifas, endereços e aprovações de transações.
Suporte a erros: carteiras custodiais oferecem uma rede de segurança. Suas equipes de suporte podem solucionar problemas ou restaurar o acesso perdido. Usuários de carteiras não custodiais não contam com suporte, o que significa que uma frase-semente perdida ou uma transação maliciosa aprovada é definitiva.
Disponibilidade global: carteiras custodiais podem enfrentar restrições que definem onde podem operar e quem pode fazer onboarding. Carteiras não custodiais funcionam em qualquer lugar com conexão à internet.
Quais são os riscos de cada modelo de carteira?
Ambos os modelos de carteira apresentam riscos. Mas a origem desse risco muda: no modelo custodial, ele recai sobre o provedor; no modelo não custodial, recai sobre o usuário. Veja a seguir uma análise mais detalhada.
Riscos das carteiras custodiais
Violação ou falhas do custodiante: carteiras custodiais concentram grandes volumes de ativos, tornando-as alvos de alto valor para atacantes. Como qualquer ferramenta, também são vulneráveis a falhas internas. Uma violação, indisponibilidade ou insolvência do custodiante pode interromper o acesso do usuário ou até eliminar os fundos.
Exposição regulatória e legal: serviços custodiais devem cumprir regulamentações regionais que podem exigir congelamento de ativos, obrigações de reporte ou limites de transações. Eles também podem estar sujeitos a políticas de Conheça Seu Cliente (KYC) ou outras verificações de identidade, o que pode restringir o acesso do usuário.
Riscos das carteiras não custodiais
Vulnerabilidades de segurança pessoal: carteiras não custodiais estão sujeitas a malware, ataques de phishing, extensões de navegador maliciosas e redes comprometidas. Diferentemente de uma violação em larga escala de uma carteira custodial, um comprometimento não custodial normalmente afeta apenas um usuário e deixa-o sem caminho de recuperação.
Erro do usuário e perda de chave: carteiras não custodiais colocam toda a responsabilidade sobre o usuário. Uma frase-semente perdida, falha de dispositivo sem backup ou uma transferência onchain mal direcionada pode resultar em perda permanente.
Permanência de erros:se um usuário não custodial aprovar um contrato inteligente malicioso ou um pagamento para o endereço errado, a ação não pode ser desfeita. Modelos não custodiais não oferecem detecção de fraude, reversão de transações, congelamento de conta ou atendimento ao cliente.
Como sua organização pode escolher o modelo de carteira certo
Optar por um modelo custodial ou não custodial determinará como as pessoas interagem com seu serviço e quais responsabilidades de gerenciamento de ativos de cripto você assumirá. Trata-se de uma decisão que envolve produto, risco e experiência do usuário (UX) ao mesmo tempo.
Comece considerando o seguinte:
Seus usuários: se seus clientes esperam uma experiência semelhante a um aplicativo financeiro tradicional, você pode optar por um modelo custodial, que elimina atritos e reduz a responsabilidade do usuário. Se seus usuários estão familiarizados com autocustódia ou operam em ambientes onde a propriedade direta é importante, o controle não custodial provavelmente será mais adequado.
Sua capacidade de segurança: modelos custodiais exigem que a organização proteja as chaves, gerencie o acesso interno e monitore ameaças. Modelos não custodiais transferem essa responsabilidade para os usuários, embora as organizações ainda precisem garantir que o software da carteira seja seguro e confiável.
Expectativas regulatórias: manter ativos dos usuários geralmente envolve obrigações de licenciamento, reporte e conformidade, como verificações de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD). Um modelo não custodial não possui essas exigências.
Filosofia e flexibilidade do produto: produtos focados em velocidade, facilidade de uso ou atendimento ao cliente frequentemente escolhem um modelo custodial, que reduz a complexidade da blockchain. Produtos construídos em torno de descentralização, propriedade do usuário ou interação onchain tendem a adotar um design não custodial.
Abordagens híbridas e concessões: algumas organizações combinam modelos — custodial para transações do dia a dia e não custodial para armazenamento de longo prazo, ou não custodial com ferramentas de recuperação opcionais, como recuperação social baseada em contratos inteligentes. A combinação certa depende do que os usuários mais valorizam: controle, conveniência ou ambos.
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O conteúdo deste artigo é apenas para fins gerais de informação e educação e não deve ser interpretado como aconselhamento jurídico ou tributário. A Stripe não garante a exatidão, integridade, adequação ou atualidade das informações contidas no artigo. Você deve procurar a ajuda de um advogado competente ou contador licenciado para atuar em sua jurisdição para aconselhamento sobre sua situação particular.