Stablecoins estão se tornando parte do dia a dia de muitas empresas por vários motivos: repasses internacionais mais rápidos, liquidação quase instantânea e uma forma de mover valor globalmente sem depender do horário bancário. A projeção é que o mercado global de stablecoins cresça para algo entre US$ 500 bilhões e US$ 750 bilhões em valor até 2028. Mas as vantagens das stablecoins só se sustentam quando a infraestrutura por trás delas é sólida.
A qualidade dessa infraestrutura é o que separa uma stablecoin que funciona de forma confiável em produção de uma que só funciona em condições ideais. Equipes que adotam stablecoins precisam saber como o ativo se comporta quando os volumes aumentam ou quando os mercados estão sob estresse.
A seguir, vamos explorar como a infraestrutura de stablecoins é construída, quais componentes mais importam para a confiabilidade, onde estão os riscos potenciais e como avaliar provedores.
O que este artigo inclui?
- O que é infraestrutura de stablecoins?
- Como funciona a emissão de stablecoins?
- Quais opções existem para custódia de stablecoins?
- Quais desafios afetam a infraestrutura de stablecoins?
- Como empresas podem escolher um provedor de infraestrutura de stablecoins?
- Como o Stripe Payments pode ajudar
O que é infraestrutura de stablecoins?
A infraestrutura de stablecoins é o conjunto de sistemas que mantém stablecoins funcionando ao preservar valor estável, transferências confiáveis e resgate previsível. Trata-se de uma pilha tecnológica que abrange operações financeiras, redes blockchain, sistemas de custódia, ferramentas de conformidade e as APIs que empresas usam para interagir com tudo isso.
Estas são as principais partes da infraestrutura de stablecoins.
Emissão e reservas
Stablecoins lastreadas em moeda fiduciária mantêm seu valor porque cada token corresponde a uma moeda fiduciária, como o dólar dos EUA (USD), mantida em reserva. Emissores operam processos de emissão e queima para garantir que a oferta nunca exceda suas reservas e mantêm sistemas de resgate que continuam funcionando mesmo em mercados sob estresse. Eles administram reservas em dinheiro e instrumentos de curto prazo, como Treasury bills (T-bills).
Redes blockchain
Transferências com stablecoins são liquidadas em blockchains públicas, e a escolha da rede afeta diretamente velocidade, custo e confiabilidade. Diferentes redes oferecem diferentes perfis de velocidade e tarifa, e congestionamento ou indisponibilidade em qualquer rede podem atrasar a liquidação ou interromper temporariamente o serviço. Muitas empresas distribuem sua atividade entre várias redes para reduzir risco e ampliar alcance, geralmente recorrendo a APIs agnósticas em relação à rede em vez de operar seus próprios nós.
Carteiras e custódia
Como stablecoins são controladas por chaves criptográficas, custódia é uma parte central da infraestrutura. Existem diferentes tipos de carteiras de stablecoin para gerenciar essas chaves, dependendo das prioridades entre segurança e conveniência. Muitas empresas dependem de sistemas seguros que usam módulos de segurança de hardware (HSMs) ou configurações de multiparty computation (MPC) para armazenamento de chaves, impõem controles de aprovação e de função, mantêm carteiras separadas e monitoram contas em tempo real em busca de atividade incomum.
APIs e camadas de integração
Empresas geralmente não querem lidar com a mecânica bruta da blockchain, então dependem de APIs e camadas de integração que simplificam esse trabalho. APIs de pagamento ajudam a aceitar stablecoins, APIs de tesouraria permitem manter e movimentar saldos, redes de repasse automatizam grandes distribuições, e rampas de acesso de criptomoedas e de rampas de saída fazem a conversão para moeda fiduciária. Camadas de orquestração administram detalhes como tarifas de gas, nonces e lógica de confirmação, fazendo com que operações com stablecoins se comportem mais como fluxos de pagamento tradicionais.
Conformidade e monitoramento
Como stablecoins tocam sistemas financeiros regulados, a infraestrutura também inclui ferramentas de conformidade e monitoramento que cuidam de verificação de identidade, triagem de fraude, fluxos de PLD e sanções e análise de transações na blockchain. Elas também reconciliam saldos na blockchain com registros internos. Esses sistemas dão suporte aos requisitos da regra de viagem, quando aplicável, e mantêm os pipelines de relatório que auditores e reguladores esperam.
Como funciona a emissão de stablecoins?
A emissão de stablecoins é um fluxo de trabalho rigidamente controlado que conecta sistemas bancários tradicionais a um token programável em uma blockchain pública. Em um modelo colateralizado por moeda fiduciária, cada token precisa corresponder com precisão a uma unidade equivalente de moeda mantida em reserva.
Existem outros modelos, como emissão colateralizada por cripto e sistemas puramente algorítmicos que dependem de ajustes na oferta, mas eles podem sofrer em momentos de estresse. Alguns podem até fracassar completamente. Durante uma turbulência de mercado em 2022, a stablecoin algorítmica TerraUSD colapsou, apagando quase meio trilhão de dólares em valor do mercado de cripto. Stablecoins lastreadas em moeda fiduciária, com direito direto de resgate e reservas transparentes, são as únicas estruturas que cumprem de forma consistente os padrões de risco empresarial exigidos por empresas.
Veja como funciona a emissão de stablecoins lastreadas em moeda fiduciária.
Fundos entram, tokens saem
A emissão começa com a entrada de moeda fiduciária no perímetro bancário do emissor. Isso acontece quando alguém transfere dólares, ou outra moeda, para uma conta segregada e regulada controlada pelo emissor. O emissor confirma o recebimento, faz a reconciliação interna e atribui o valor a uma conta de usuário específica. Quando os fundos são liquidados, o emissor emite a quantidade correspondente de stablecoins na blockchain e envia esses tokens ao endereço de carteira do usuário.
Esse evento de emissão aumenta a oferta circulante da stablecoin e cria um passivo correspondente no balanço do emissor. O sistema verifica constantemente se os tokens em circulação não excedem as reservas mantidas.
Tokens entram, fundos saem
O resgate inverte as etapas descritas acima. A pessoa titular envia seus tokens de volta para um endereço controlado pelo emissor. O emissor verifica se os tokens são autênticos e não estão onerados e, em seguida, os queima, removendo-os permanentemente de circulação. A queima reduz a oferta circulante, e o emissor libera o valor correspondente em moeda fiduciária de volta para a conta bancária da pessoa usuária.
Esse ciclo precisa funcionar tanto em condições normais quanto em cenários de alto estresse. A capacidade de resgatar ao valor de face é o que sustenta o preço de uma stablecoin. Formadores de mercado e traders impõem essa paridade: se o preço cair abaixo de US$ 1, a arbitragem de resgate o empurra de volta para cima; se subir acima de US$ 1, a pressão de emissão o empurra para baixo.
Operações de reserva mantêm a paridade confiável
As operações de reserva mantêm a paridade confiável ao manter as reservas das stablecoins lastreadas em moeda fiduciária em dinheiro e títulos do Tesouro de curto prazo com liquidez no mesmo dia ou no dia seguinte. Também precisam gerenciar continuamente risco de duration, necessidades de liquidez para resgates, concentração entre parceiros bancários, cadência de auditoria e as estruturas jurídicas que mantêm os ativos protegidos em caso de falência. As reservas também geram rendimento, que normalmente sustenta o negócio emissor, em vez de ser compartilhado com titulares dos tokens.
Quais opções existem para custódia de stablecoins?
A custódia de stablecoins é o conjunto de sistemas e controles que protege as chaves usadas para manter e movimentar stablecoins. Seja internamente ou por meio de uma plataforma custodiante, o objetivo é o mesmo: proteger ativos e, ao mesmo tempo, dar às equipes a visibilidade e o fluxo de trabalho necessários para usar stablecoins com segurança.
Estas são as duas principais opções.
Sistemas com custódia
Sistemas com custódia dependem de terceiros regulados para manter chaves privadas e operar com stablecoins em nome de uma empresa, usando hardware seguro ou configurações de MPC, controles claros de acesso, endereços segregados e uma combinação de carteiras de hardware e software para manter os fundos em segurança. Esses provedores também acompanham a atividade na blockchain, monitoram comportamentos incomuns e mantêm registros internos para que os saldos permaneçam sincronizados.
Esse modelo atrai empresas que buscam segurança forte sem precisar gerenciar os detalhes técnicos diretamente. Ele também tende a facilitar auditorias e revisões de conformidade, já que a entidade custodiante fornece os controles, a documentação e os relatórios que reguladores esperam.
Sistemas de autocustódia
Nesse modelo, a própria empresa gerencia suas chaves e constrói os controles necessários para manter esses ativos em segurança. Isso normalmente significa usar carteiras MPC ou multiassinatura (multisig) para evitar pontos únicos de falha, recorrer a armazenamento respaldado por hardware, definir caminhos claros de aprovação para movimentar fundos, separar funções entre equipes técnicas e financeiras, manter saldos maiores em armazenamento frio, isto é, offline, e reconciliar sistemas internos com dados na blockchain.
Uma abordagem de autocustódia dá à empresa controle total, mas também eleva o risco. Uma chave perdida, um dispositivo comprometido ou um fluxo de aprovação frágil pode levar a perda permanente, de modo que o ônus da segurança e do desenho de processos recai integralmente sobre a equipe que opera o sistema.
Quais desafios afetam a infraestrutura de stablecoins?
A infraestrutura de stablecoins evoluiu muito, mas ainda traz riscos técnicos e regulatórios. Esses pontos não são motivos para evitar stablecoins por completo; eles apenas fazem parte do cenário para qualquer pessoa que escolha construir sobre esse tipo de forma de pagamento.
Estes são os desafios que empresas precisam considerar.
Incerteza regulatória
As regras sobre stablecoins ainda estão em formação. A UE conta com o framework Markets in Crypto-Assets (MiCA), e os EUA aprovaram um marco regulatório federal que entrará em vigor até 2027. Muitos países tratam stablecoins segundo regras já existentes para transmissão de dinheiro, mas outras jurisdições são mais rígidas. Parceiros bancários conservadores podem hesitar em dar suporte a empresas de stablecoin até que o cenário regulatório esteja mais claro. Sistemas de conformidade precisam abranger todas as jurisdições em que uma empresa opera e incorporar flexibilidade suficiente para se adaptar quando as leis se tornarem mais rígidas.
Exposição a segurança
Stablecoins herdam o perfil de segurança dos sistemas dos quais dependem. Vulnerabilidades podem surgir de várias formas: bugs em contratos inteligentes, chaves perdidas ou comprometidas, phishing, risco interno ou explorações em conexões entre redes. Como transações na blockchain não podem ser revertidas, uma única falha pode causar perda permanente.
Gestão de liquidez e reservas
As reservas normalmente são mantidas em ativos líquidos, mas mesmo instrumentos considerados relativamente seguros carregam risco. Em 2023, a stablecoin lastreada em moeda fiduciária USD Coin (USDC) perdeu temporariamente sua paridade porque dinheiro das reservas ficou preso no Silicon Valley Bank (SVB), que havia quebrado. Esse incidente mostrou o quanto o sucesso de uma stablecoin depende de parceiros bancários diversificados e de divulgações claras.
Fragmentação e interoperabilidade
Stablecoins existem em muitas blockchains, e essas blockchains nem sempre interoperam entre si. Conectar esses sistemas diferentes introduz sua própria fragilidade. Empresas podem acabar administrando várias versões do mesmo ativo, cada uma com seu próprio ambiente de tarifas e perfil de confiabilidade.
Como empresas podem escolher um provedor de infraestrutura de stablecoins?
Selecionar um parceiro de infraestrutura de stablecoins exige due diligence e avaliação de risco. Os melhores provedores fazem stablecoins parecerem qualquer outra rede de pagamento confiável.
Um bom provedor de stablecoins deve ter estas bases.
Segurança e custódia
O modelo de custódia do provedor deve ser fácil de inspecionar e difícil de comprometer. Isso significa gestão de chaves com hardware ou MPC, fluxos de trabalho com múltiplas aprovações e inclusão de endereços na lista de permissões. Se um provedor não consegue explicar seus controles em detalhes, isso é um sinal de alerta.
Postura de conformidade
É importante contar com parceiros que levem a conformidade a sério e acompanhem mudanças regulatórias. Procure processos sólidos de KYC e PLD, triagem de sanções, monitoramento de transações e capacidade de atender aos requisitos de reporte da sua empresa. Licenciamento é um bom sinal de maturidade.
Cobertura de redes e ativos
Dar suporte a várias stablecoins e várias redes reduz o atrito. Provedores que abstraem as diferenças entre redes e lidam com gestão de gas, direcionamento e confiabilidade na blockchain dão às equipes mais espaço para crescer sem precisar reconstruir fluxos de trabalho.
Qualidade da integração
Stablecoins só funcionam dentro de uma empresa se se integrarem bem, com APIs de alta qualidade, boa documentação, suporte a Webhook e ambientes de área restrita. Provedores que oferecem dashboards unificados ou ferramentas de reconciliação facilitam a vida das equipes de finanças e operações.
Reputação e longevidade
O ecossistema de stablecoins ainda é novo. Provedores respaldados por uma base financeira sólida, equipes confiáveis e disponibilidade consistente são apostas mais seguras.
Como o Stripe Payments pode ajudar
O Stripe Payments oferece uma solução unificada e global de pagamentos que ajuda qualquer empresa — de startups em crescimento a empresas globais — a aceitar pagamentos online, presencialmente e em todo o mundo. As empresas podem aceitar pagamentos com stablecoins de praticamente qualquer lugar do mundo, com liquidação em moeda fiduciária no saldo da Stripe.
O Stripe Payments pode ajudar você a:
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O conteúdo deste artigo é apenas para fins gerais de informação e educação e não deve ser interpretado como aconselhamento jurídico ou tributário. A Stripe não garante a exatidão, integridade, adequação ou atualidade das informações contidas no artigo. Você deve procurar a ajuda de um advogado competente ou contador licenciado para atuar em sua jurisdição para aconselhamento sobre sua situação particular.