O venture debt, ou empréstimo de risco, fornece fundos a startups para que elas possam expandir sem vender ações antecipadamente. Os fundadores podem usar o venture debt junto com o financiamento por participação acionária para pagar por novos projetos ou cobrir custos antes da próxima rodada de investimentos. Como outros empréstimos comerciais, o venture debt tem pagamentos, custos de empréstimo e outros termos que podem afetar como você administra a empresa.
Abaixo, discutiremos como o venture debt funciona, quando ele pode se encaixar na estratégia de financiamento de uma startup, como ele se compara ao financiamento por participação acionária e quais perguntas fazer a possíveis credores.
Principais conclusões
O venture debt geralmente complementa o financiamento por participação acionária para ajudar as startups a financiar o crescimento sem vender mais ações antecipadamente.
Um contrato de empréstimo explica quanto você pode pegar emprestado, quando os fundos estarão disponíveis e como fará o pagamento do empréstimo. O contrato também abrange outras condições de empréstimo que podem ser aplicáveis, como o direito do credor de comprar ações.
Ao considerar o venture debt, compare os termos dos credores, incluindo os custos totais do empréstimo, os cronogramas de pagamentos e as consequências de pagamentos não efetuados ou violação de condições. Os pagamentos devem ser feitos mesmo se o crescimento ou a captação de fundos for mais lenta do que o esperado.
O que é venture debt?
O venture debt é um empréstimo para startups que captaram dinheiro de investidores e precisam de fundos adicionais para crescer.
Diferente do venture capital, com o qual os investidores recebem uma participação acionária, o venture debt fornece dinheiro sem exigir que os fundadores vendam ações antecipadamente. A empresa concorda em fazer o pagamento do dinheiro com juros, embora alguns credores também recebam bônus de subscrição (warrants) que lhes dão o direito de comprar ações mais tarde.
Por exemplo, uma startup de software pode usar o venture debt para contratar engenheiros a fim de desenvolver um novo produto que atraia mais clientes pagantes. Os fundos adicionais dão à startup tempo para demonstrar demanda antes da próxima rodada de financiamento, mas os pagamentos do empréstimo continuam mesmo se o lançamento demorar mais do que o esperado.
Nos EUA, as startups obtêm empréstimos de risco com credores especializados e bancos que trabalham com novas empresas. Esses provedores reconhecem que uma startup pode gastar mais dinheiro do que gera e podem considerar os investidores da startup, as projeções de caixa e as perspectivas de capital adicional ao avaliar a capacidade de pagamento.
Como o venture debt funciona na prática?
O venture debt funciona por meio de um contrato de empréstimo que define quanto você pode pegar emprestado, quando pode acessar o dinheiro, quanto vai pagar e outras condições que você concorda em cumprir.
Veja mais detalhes sobre como o venture debt funciona:
Valor do empréstimo
Os valores do empréstimo variam de acordo com a empresa. Os credores geralmente oferecem de 25% a 35% do valor captado na rodada de participação acionária mais recente da empresa. Por exemplo, se a sua empresa captou US$ 10 milhões durante a Série A, você pode obter de US$ 2,5 milhões a US$ 3,5 milhões em venture debt. A situação financeira da startup, os planos de gastos e os investidores atuais também influenciam a oferta.
Em vez de fornecer todo o dinheiro antecipadamente, os credores podem emiti-lo em partes, chamadas de parcelas (tranches). Alguns fundos podem estar disponíveis imediatamente, enquanto o acesso ao restante depende de atingir uma meta de receita específica ou outro marco.
Juros e tarifas
As taxas de juros refletem o risco que um credor assume ao financiar uma startup. As taxas podem ser fixas ou variáveis. Alguns contratos incluem uma opção payment-in-kind (PIK), que adiciona os juros ao saldo do empréstimo em vez de exigir um pagamento imediato em dinheiro. O PIK reduz as saídas de caixa no curto prazo, mas pode aumentar o valor total a ser pago.
As tarifas podem incluir cobranças pela estruturação do empréstimo, pagamento antecipado ou por chegar ao fim do contrato de empréstimo. Uma taxa de juros menor não significa necessariamente um empréstimo mais barato. Considere o custo total do empréstimo antes de tomá-lo.
Pagamentos
O contrato especifica o cronograma de pagamentos e quando o saldo restante vence. Em empréstimos com amortização, você pagará uma parte do valor total emprestado com juros a cada mês. Em empréstimos "bullet" sem amortização, você pagará apenas os juros a cada mês e fará um pagamento cobrindo o valor principal no final do período do empréstimo. Os pagamentos mensais podem ser menores no curto prazo, mas as empresas precisam se preparar para o pagamento maior no vencimento.
Muitos empréstimos começam com um período de carência apenas de juros antes de passar para pagamentos que incluem o valor principal e os juros. Os pagamentos mensais podem aumentar quando os pagamentos do valor principal começarem, deixando menos dinheiro em caixa para outras atividades.
Bônus de subscrição (warrants)
Os credores de risco às vezes podem se beneficiar se o valor da sua startup crescer. Alguns credores recebem bônus de subscrição (warrants), que dão a eles o direito de comprar ações a um preço acordado dentro de um determinado período. Isso significa que o venture debt ainda pode diluir a propriedade, mesmo que os fundadores não vendam ações antecipadamente.
O empréstimo ainda deve ser pago integralmente, mesmo se os credores exercerem seus bônus de subscrição. Isso difere de uma nota conversível, na qual a dívida pode se converter em ações, ou de um SAFE (simple agreement for future equity, acordo simples por futura participação), que dá a um investidor o direito a ações futuras sem criar um empréstimo que você deve pagar.
Cláusulas contratuais (covenants)
Os credores podem anexar cláusulas aos empréstimos para reduzir seus riscos. Elas são condições que o mutuário concorda em cumprir, como manter um saldo mínimo de caixa, atingir metas de receita ou crescimento e fornecer relatórios regulares ao credor. O contrato também pode limitar outros empréstimos ou impedir que a empresa venda ativos. A violação de uma cláusula pode levar a penalidades ou fazer com que o credor exija o pagamento antecipado.
Quando o venture debt faz sentido para startups?
O venture debt pode fazer sentido quando uma startup precisa de mais tempo ou de fundos para um propósito específico, desde que consiga fazer os pagamentos. Por exemplo, você pode usar o venture debt para:
Estender o tempo entre rodadas de captação de recursos enquanto conclui o lançamento de um produto ou aguarda a melhoria das condições do mercado.
Comprar estoque ou contratar funcionários para atender à demanda conforme a empresa cresce.
Atingir um marco que comprove um valuation mais alto para que você possa reduzir a porcentagem de participação que precisará ceder na próxima rodada de ações.
Pode ser difícil obter venture debt sem o apoio de venture capital, e isso pode não ser adequado para uma startup que teria dificuldades para pagar o empréstimo se o crescimento diminuir ou se surgirem custos inesperados. Nessas situações, outras opções de financiamento podem ser mais adequadas.
Venture debt e financiamento por participação acionária: qual é a diferença?
Ao decidir entre venture debt e mais financiamento por participação acionária, os principais fatores a considerar são a diluição da participação societária, o custo de capital, as obrigações de pagamento e o nível de risco.
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Venture debt
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Financiamento por participação acionária
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| Diluição da participação societária | Nenhuma ação é vendida antecipadamente, mas os bônus de subscrição (warrants) podem diluir a participação depois | Novas ações reduzem a porcentagem que pertence aos atuais acionistas |
| Custo de capital | Juros e tarifas | Uma parte do valor futuro da empresa |
| Obrigações de pagamento | A empresa paga o empréstimo de acordo com o contrato | Geralmente não há pagamentos |
| Nível de risco | Pagamentos e cláusulas contratuais podem limitar o fluxo de caixa e a flexibilidade operacional | Os investidores compartilham o risco financeiro, mas os fundadores sacrificam parte da participação e do controle |
Se a receita for incerta e você ainda estiver testando a demanda, a participação acionária pode oferecer mais flexibilidade. Os investidores também têm participação na empresa e podem oferecer aos fundadores conselhos, contatos do setor e ajuda com contratações.
Startups geralmente usam os dois. Projeções realistas podem ajudar você a determinar quanto tempo apenas o financiamento de ações duraria e, então, comparar essa perspectiva com um cenário que inclua o venture debt.
Quais riscos os fundadores devem considerar?
O venture debt traz riscos para os tomadores de empréstimo, especialmente em relação à gestão de pagamentos e às condições do empréstimo. Alguns dos principais riscos incluem:
Pressão para pagar: Os pagamentos deixam menos dinheiro em caixa para o crescimento, de modo que o empréstimo pode não oferecer tanto tempo extra quanto o esperado. Os pagamentos continuam mesmo se as vendas caírem, enquanto um crescimento mais rápido pode consumir mais fundos e dificultar os pagamentos.
Menos flexibilidade: Cláusulas contratuais podem introduzir restrições que limitam sua capacidade de mudar os planos.
A dívida pode afetar financiamentos futuros: Possíveis investidores podem hesitar se seus fundos forem usados para pagar dívidas.
Inadimplência do empréstimo: O não cumprimento de obrigações financeiras e de relatórios pode levar à inadimplência, mesmo que os pagamentos estejam em dia.
Esses riscos podem ser mais difíceis de gerenciar para startups recentes com receita limitada. Empresas mais consolidadas podem ter outras fontes de receita, mas a expansão das atividades da empresa e as condições inesperadas do mercado ainda podem pressionar o caixa.
Quais perguntas os fundadores devem fazer aos possíveis credores de venture debt?
Antes de assinar um contrato de venture debt, peça aos credores que expliquem os principais termos. Aqui estão algumas perguntas úteis a serem feitas durante a due diligence:
A quanto dinheiro a minha empresa pode ter acesso e quando? Pergunte quais condições se aplicam às parcelas futuras e quando termina o período de saque.
Qual é o custo total do empréstimo? Isso pode abranger as taxas de juros, as tarifas, as despesas jurídicas e as multas por pagamento antecipado.
Os pagamentos aumentarão, e quando? Solicite um cronograma de pagamento para entender como os pagamentos serão divididos ao longo do período do empréstimo.
Quais warrants se aplicam? Verifique o número de ações, o preço de compra, a data de validade e a possível diluição.
Quais covenants se aplicam? Pergunte como os credores monitoram e testam as condições do empréstimo e quais cenários exigem o consentimento do credor.
O que acontece se houver atraso no pagamento ou quebra de covenant? Confirme se há tempo para corrigir uma violação caso ocorra algum problema.
Os termos dos credores variam, portanto, comparar vários term sheets de diferentes provedores de venture debt pode ajudar as startups a encontrar a opção certa. Advogados e consultores financeiros podem apoiar o processo de tomada de decisão antes da assinatura.
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Perguntas frequentes sobre venture debt e como ele funciona para startups
O conteúdo deste artigo é apenas para fins gerais de informação e educação e não deve ser interpretado como aconselhamento jurídico ou tributário. A Stripe não garante a exatidão, integridade, adequação ou atualidade das informações contidas no artigo. Você deve procurar a ajuda de um advogado competente ou contador licenciado para atuar em sua jurisdição para aconselhamento sobre sua situação particular.