Como garantir financiamento para startups na Espanha

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  1. Introdução
  2. Principais conclusões
  3. Principais vias de financiamento para startups na Espanha
    1. Autofinanciamento
    2. Financiamento familiar
    3. Crowdfunding
    4. Empréstimos bancários e linhas de crédito do ICO
    5. Garantias públicas para acesso a crédito
    6. Subsídios
    7. Aceleradoras
    8. Investidores privados
    9. Financiamento público
  4. Principais canais de financiamento público para startups na Espanha
    1. Instrumentos de financiamento europeus
    2. Instrumentos de financiamento nacionais
    3. Instrumentos de financiamento regionais
  5. Regulamentação de financiamento para startups espanholas
    1. Flexibilização dos requisitos para garantias bancárias
    2. Deduções fiscais
    3. Financiamento estrangeiro
    4. Pagamentos em fases na contratação pública de inovação
    5. Ações em tesouraria para planos de remuneração
    6. Concessão de ações aos funcionários
  6. Fatores principais para garantir financiamento para startups na Espanha
    1. Participação em um setor altamente atrativo
    2. Leia com atenção as regras de cada edital
    3. Negocie os termos
    4. Planejamento antecipado para a due diligence
  7. Perguntas frequentes sobre financiamento de startups na Espanha

De acordo com o relatório Spanish Tech Ecosystem de 2026, aproximadamente 37,5% das startups fundadas a cada ano conseguem financiamento. Em outras palavras, quase seis em cada dez startups na Espanha não conseguem atrair investidores e precisam recorrer a outras vias, como economias pessoais, empréstimos bancários ou financiamento público.

Embora conseguir financiamento possa ser desafiador, isso se torna muito mais fácil se você entender o ecossistema de ajuda financeira na Espanha e souber exatamente qual instrumento financeiro é mais adequado para sua startup.

Neste artigo, explicamos como atrair investidores para sua startup e analisamos as principais opções disponíveis na Espanha para facilitar seu lançamento, consolidação e crescimento.

Principais conclusões

  • Conseguir financiamento privado durante os estágios iniciais de uma startup costuma ser mais difícil devido ao risco envolvido para possíveis investidores.
  • Na Espanha, existem vários tipos de financiamento para startups, como empréstimos de participação de entidades como a Enisa e subsídios de órgãos públicos.
  • Os empréstimos de participação são uma opção muito mais atraente para as startups do que o financiamento bancário tradicional, pois as taxas de juros nesses empréstimos variam de acordo com o desempenho dos negócios.
  • A Lei de Startups regulamenta vários mecanismos de financiamento, como a redução das garantias exigidas para ajuda pública e a implementação de pagamentos em fases em contratos de PPI (Public procurement of innovation, Contratação pública de inovação).

Principais vias de financiamento para startups na Espanha

Na Espanha, fundadores de startups têm vários instrumentos financeiros à disposição para cobrir custos de formação ou expansão. Por exemplo, de acordo com o Relatório Global Entrepreneurship Monitor (GEM) Espanha de 2025-2026, 12% do capital inicial para empresas criadas por empreendedores vêm de bancos ou instituições financeiras, enquanto 2% vêm de investidores privados. Vejamos os mecanismos de financiamento mais comuns para uma startup:

Autofinanciamento

O autofinanciamento (ou bootstrapping) de uma startup significa cobrir despesas usando as economias pessoais dos fundadores e a receita gerada pela empresa. Embora o autofinanciamento seja muitas vezes um recurso limitado, ele é comumente usado durante os estágios iniciais de uma startup, quando o acesso a outros tipos de financiamento ainda não é viável.

Diferentemente de outros métodos de financiamento, o autofinanciamento permite que os fundadores mantenham controle total sobre a startup sem precisarem prestar contas a terceiros. Além disso, se o autofinanciamento produzir resultados positivos, ficará mais fácil atrair investidores futuros, que veem com bons olhos o comprometimento dos fundadores e o potencial do projeto.

Financiamento familiar

Quando o autofinanciamento não é suficiente, outra maneira de levantar capital para uma startup é recorrer a familiares ou até mesmo amigos. No entanto, depender de familiares e amigos para obter financiamento pode prejudicar os relacionamentos pessoais se o resultado for negativo, pois perdas financeiras geralmente criam tensão.

Crowdfunding

As plataformas de crowdfunding de investimento permitem que as startups garantam financiamento coletivo de vários investidores. Essa via de financiamento tem sido fundamental para o sucesso de algumas startups espanholas, como a Heura.

Uma das principais plataformas de crowdfunding para startups é a Crowdcube, que tem um acordo com a Stripe para fornecer benefícios (como créditos de processamento de pagamentos para o Stripe Payments) a determinadas startups financiadas. De acordo com o Relatório GEM Espanha de 2025-2026, 1% do capital inicial das empresas vem de crowdfunding.

Empréstimos bancários e linhas de crédito do ICO

Nos estágios iniciais, muitas vezes é muito difícil para uma startup garantir financiamento bancário, principalmente se o fundador não tiver garantias reais ou fiadores. Mesmo assim, o financiamento bancário é mais comum do que se imagina: de acordo com o Relatório GEM Espanha de 2025-2026, 12% do capital inicial para novas empresas vêm de bancos ou instituições financeiras, e essa parcela aumenta à medida que a empresa estabelece um fluxo de receita constante.

Parte desse financiamento é canalizada por meio de linhas de crédito do Instituto de Crédito Oficial (ICO). O mecanismo de financiamento do ICO é diferenciado porque o próprio instituto não empresta diretamente ao empreendimento. Em vez disso, o financiamento é solicitado e emitido por um banco parceiro, que avalia o risco de acordo com seus próprios critérios e decide se concede ou não o empréstimo. A linha Empresas e Empreendedores do ICO cobre investimentos, ativos fixos e necessidades de liquidez, com prazos que variam de um a seis anos e um período de carência do principal de até um ano.

Garantias públicas para acesso a crédito

Quando o obstáculo para obter financiamento bancário não é a viabilidade do projeto, mas sim a falta de garantias, as sociedades de garantia recíproca (SGRs) podem ser uma boa solução. Essas entidades sem fins lucrativos, supervisionadas pelo Banco da Espanha, fornecem garantias aos bancos em nome de pequenas e médias empresas (PMEs) e startups. Embora não concedam empréstimos diretamente, elas garantem total ou parcialmente as transações, fornecendo cobertura adicional às instituições financeiras.

Dessa forma, uma startup pode acessar financiamentos que um banco não concederia sem uma garantia, reduzir as exigências ou melhorar os termos e a taxa de juros.

Para solicitar essas garantias públicas, você deve se tornar um membro participante da SGR correspondente e cobrir o custo da garantia. Você pode localizar a sociedade da sua comunidade autônoma por meio da Confederação Espanhola de Sociedades de Garantia Recíproca (CESGAR), que reúne as SGRs da Espanha.

É importante lembrar que, embora essa seja uma garantia pública, ela não transforma o empréstimo em uma subvenção: se a empresa não pagar o valor devido e a SGR for responsabilizada pelo banco, a SGR buscará o reembolso do valor pago junto à empresa.

Subsídios

Na Espanha, há diversos subsídios para startups, atendendo tanto às fases iniciais quanto às de crescimento. Por exemplo, o programa Misión da Agência Digital da Andaluzia não apenas promove a criação e aceleração de empresas na região por meio de subsídios para abrir um negócio na Andaluzia, mas também concede ajuda financeira para financiar startups nas áreas de mobilidade inteligente, logística portuária, tecnologia agrícola e videogames.

Recomendamos o uso da ferramenta de busca de auxílios e incentivos públicos da Plataforma PYME para encontrar facilmente os subsídios mais relevantes para a sua situação.

Aceleradoras

Diferentemente das incubadoras, que geralmente não oferecem financiamento direto, as aceleradoras comumente fornecem capital para agilizar os estágios iniciais das startups. Além disso, as startups se tornam parte de uma rede de empreendedores e mentores que é altamente benéfica para seu crescimento a médio e longo prazo.

A Espanha tem mais de 300 aceleradoras, incubadoras e programas de apoio para startups.

Investidores privados

Investidores privados que atuam de forma profissional e especializada injetam capital nas startups. Em muitos casos, a contribuição deles não é apenas financeira. Ela também envolve o fornecimento de contatos e conselhos extremamente valiosos. Estes são os principais tipos de investidores privados e suas características:

  • Business angels: esses indivíduos, também conhecidos como investidores anjos, geralmente investem nos estágios iniciais das startups, que são as que apresentam maior risco. Segundo dados do Relatório Business Angels de 2025, 55% dos investidores consultados tinham de três a oito anos de experiência em investimentos. Além disso, as contribuições deles muitas vezes vão além do capital: 44% forneceram conselhos estratégicos e 29% ajudaram a facilitar as conexões com clientes, fornecedores e novos mercados.
  • Venture capital: são fundos que financiam startups em troca de participações acionárias que eles esperam vender no futuro por um preço muito mais alto. Segundo a SpainCap, empresas nacionais privadas de venture capital investiram € 368 milhões em 390 investimentos em 2024. Três em cada quatro investimentos foram inferiores a € 1 milhão, e 85% foram direcionados a empresas em estágio inicial.
  • Corporate venture capital: grandes empresas muitas vezes investem em startups para obter acesso às tecnologias emergentes delas e gerar retornos financeiros. Um estudo do Centro de Pesquisa Conjunta da Comissão Europeia descobriu que 62% das 2.500 grandes empresas com foco em P&D analisadas investiram em startups ou scaleups pelo menos uma vez entre 2000 e 2020. Os valores de investimento variam consideravelmente. Um dos exemplos mais proeminentes da Espanha, a Wayra, a unidade de corporate venture capital da Telefónica, publica atualmente uma faixa de investimento de € 150.000 a € 5 milhões para startups em estágio semente e de crescimento.
  • Family offices: são estruturas dedicadas a gerenciar e investir o patrimônio de uma ou mais famílias. Eles podem investir diretamente nas empresas ou indiretamente por meio de fundos de investimento. Os family offices desempenham um papel significativo no ecossistema empreendedor da Espanha. Segundo a PwC Espanha, em média, uma em cada quatro startups espanholas é financiada por meio de um family office.

Financiamento público

A Administração Geral do Estado e as comunidades autônomas, em colaboração com várias entidades públicas, fornecem financiamento para startups com o intuito de promover a inovação e gerar empregos qualificados. Os fundadores geralmente são obrigados a cofinanciar os projetos, seja por meio de contribuições próprias ou pela participação de entidades privadas.

Principais canais de financiamento público para startups na Espanha

Na Espanha, novas oportunidades de financiamento são anunciadas constantemente, oferecendo um suporte valioso para fundadores desenvolverem seus projetos profissionais. Veja um resumo das principais opções de financiamento europeias, nacionais e regionais para você se inscrever naquelas que melhor atendem às suas necessidades:

Instrumentos de financiamento europeus

European Tech Champions Initiative

A European Tech Champions Initiative (ETCI) é um fundo conjunto envolvendo o Banco Europeu de Investimento (BEI) e os governos de determinados países, incluindo a Espanha, que contribuiu com mais de 26% do capital inicial da ETCI por meio do fundo Fond-ICO Next Tech.

As contribuições são alocadas em fundos de venture capital de pelo menos € 1 bilhão. Graças a essa injeção financeira, esses fundos podem lançar grandes rodadas de financiamento para scaleups (ou seja, empresas com pelo menos 10 funcionários que registraram crescimento mínimo de 20% no quadro de funcionários ou na receita por três anos consecutivos).

Impact Shakers Ventures I

A COFIDES é uma entidade pública espanhola que injeta capital no fundo europeu Impact Shakers Ventures I, que posteriormente adquire participações em startups para financiá-las. Este é um financiamento em estágio inicial para startups, projetado para atender às suas necessidades financeiras durante as fases pré-seed e seed.

Instrumentos de financiamento nacionais

Empréstimos participativos da Enisa

Essa entidade pública (que opera sob o Ministério da Indústria e Turismo) oferece financiamento para projetos empreendedores para financiar a criação de startups e PMEs, sem requisitos de idade. O valor mínimo para os empréstimos da Enisa é de € 25.000, enquanto o valor máximo é de € 1,5 milhão. No entanto, para se qualificar, o patrimônio líquido da empresa deve ser pelo menos igual ao valor solicitado.

Independentemente do valor do empréstimo recebido, as taxas de juros variam com base no desempenho financeiro da empresa. Além disso, ao contrário de outras soluções, os empréstimos participativos da Enisa não exigem garantias adicionais. Em 2025, a Enisa concedeu € 65,3 milhões a startups e PMEs inovadoras.

Programa Innvierte

O Centro de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CDTI), por meio do programa Innvierte, atua como um fundo de venture capital, ou seja, injeta capital em startups em colaboração com outras entidades. Esse coinvestimento é sempre realizado com entidades de venture capital registradas na Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV).

Ao contrário de outros programas de financiamento focados em fases específicas de desenvolvimento da startup, o Innvierte foi projetado para cobrir despesas em todas as fases de crescimento de uma startup.

Next Tech

Em 2021, o Fond-ICO Next Tech foi criado para alocar parte de seus investimentos a startups do setor de tecnologia. Atualmente, sua principal atividade consiste em fazer contribuições financeiras para vários fundos de venture capital.

Instrumentos de financiamento regionais

Aragão: empréstimos participativos da SODIAR

Se parte do capital social de uma startup for detido pela Sociedade para o Desenvolvimento Industrial de Aragão (SODIAR), essa entidade pode fornecer acesso a empréstimos participativos de até 10% dos fundos disponíveis. Os empréstimos participativos da SODIAR consistem em dois componentes de juros:

  • Juros fixos: 2% + Taxa Interbancária de Oferta de Euro (Euribor) de 12 meses (2,855% em julho de 2026).
  • Juros variáveis: Máximo de 8%, variando com base em fatores como o desempenho da startup.

Cantábria: programa Start Up Capital Cantabria

A Sociedade para o Desenvolvimento Regional da Cantábria (SODERCAN) administra o programa Start Up Capital Cantabria, projetado para financiar novas startups na região com valores que variam de € 25.000 a € 250.000, dependendo do projeto em desenvolvimento.

O modelo de financiamento é inovador e flexível: empréstimos participativos conversíveis, ou seja, injeções de capital que podem ser pagas posteriormente por meio de ações da empresa.

Ilhas Canárias: Fundo Canarias Financia 2

A Sociedade de Desenvolvimento Econômico das Ilhas Canárias (SODECAN) oferece o fundo Canarias Financia 2, voltado para startups sediadas nas Ilhas Canárias.

Para aproveitar esse instrumento financeiro, a formação da startup deve ter ocorrido nos últimos cinco anos. Além disso, a empresa deve estar alinhada com os principais objetivos da Estratégia de Especialização Inteligente das Ilhas Canárias (como promover a inovação e a digitalização).

Financiamentos que variam de € 50.000 a € 500.000 podem cobrir até 85% das despesas qualificadas. Em todos os casos, o fundador da startup está isento de pagar uma parte do empréstimo, variando de 10% a 25% da injeção de capital.

Castilla-La Mancha: empréstimos STEP Castilla-La Mancha

Os empréstimos STEP (Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa) Castilla-La Mancha ajudam a cobrir as despesas normalmente enfrentadas por startups de tecnologia. Especificamente, esse instrumento financeiro pode fornecer um mínimo de € 200.000 à startup, embora, em alguns casos, a injeção de capital possa chegar a € 5 milhões.

Geralmente, os empréstimos STEP Castilla-La Mancha cobrem 80% das despesas da startup. Para acessá-los, não é necessário que a startup beneficiária seja constituída como uma sociedade de responsabilidade limitada (SL) ou uma sociedade anônima (SA), embora a adoção de uma dessas duas formas jurídicas seja recomendada.

Catalunha: programa de coinvestimento Startup Capital

Em 2024, a ACCIÓ (agência de crescimento empresarial da Catalunha) lançou o programa de coinvestimento Startup Capital, voltado para startups de tecnologia que buscam resolver grandes desafios (comumente conhecidas como "deep tech"). Esse programa de coinvestimento financia as despesas iniciais, que tendem a ser muito altas para empresas desse tipo. Para se qualificar, as startups devem ter garantido uma injeção de capital de outras fontes de financiamento para startups nos últimos seis meses.

Embora uma nova chamada de inscrições para 2026 ainda não tenha sido anunciada, a ACCIÓ continua a oferecer aconselhamento especializado para startups que buscam opções de financiamento.

Comunidade de Madri: programa Soy Startup

Startups sediadas em Madri que estão em processo de estabelecimento ou consolidação podem acessar o programa Soy Startup da Avalmadrid, que facilita o acesso a financiamento. Para isso, ele oferece três linhas de empréstimo e atua como garantidor quando o fundador solicita outras ajudas financeiras.

Comunidade Foral de Navarra: programa Start Up Capital Navarra

O programa Start Up Capital Navarra, administrado pela Corporação de Desenvolvimento de Navarra (Sodena), foi projetado para startups recém-estabelecidas com potencial significativo de crescimento e criação de empregos de qualidade na Comunidade Foral de Navarra. Para garantir o financiamento, o projeto deve ser inovador ou claramente diferenciado da concorrência.

Normalmente, a Sodena injeta capital que varia de € 100.000 a € 500.000, embora esse limite possa ser excedido em casos nos quais um financiamento maior se justifica, como ao receber uma solicitação de uma startup com um projeto estratégico altamente promissor.

País Basco: Aurrera

As startups do País Basco que operam há menos de três anos podem se inscrever para o financiamento do Aurrera. Embora esse tipo de financiamento seja normalmente limitado a startups de tecnologia, este programa de financiamento também está aberto a projetos em setores tradicionais.

Os requisitos para acessar o financiamento consistem em criar pelo menos três empregos durante o primeiro período de três anos e garantir um endosso da atividade comercial da startup de uma incubadora, como a BIC Bizkaia ou a BIC Gipuzkoa.

No ciclo de inscrição anterior do Aurrera, 42 injeções de capital totalizando € 4,7 milhões foram feitas em startups no País Basco.

Principado das Astúrias: Asturias Startup Fund

O Asturias Startup Fund concede empréstimos participativos conversíveis a startups e empresas asturianas que planejam se estabelecer no principado no futuro, desde que contribuam com pelo menos 25% do investimento por meio de capital privado. Em outras palavras, a prioridade é dada ao cofinanciamento, uma abordagem que, neste caso, não envolve garantias ou taxas. O Asturias Startup Fund é dividido em duas fases com base no estágio de desenvolvimento do projeto empreendedor:

  • Fase I: Voltada para startups em estágio seed ou pré-seed, a Fase I fornece acesso a um financiamento de até € 100.000, pagável em um período de quatro a seis anos. O componente de juros fixos é a Euribor de 12 meses mais 3% ou 4%, enquanto o componente variável pode chegar a um adicional de 3%, dependendo do desempenho da empresa.
  • Fase II: Voltado para startups nos estágios de crescimento ou expansão, o financiamento da Fase II pode ser de até € 200.000, com um período de pagamento variando de um mínimo de cinco anos a um máximo de sete. Apenas 2% ou 3% são adicionados à Euribor, mas a taxa máxima de juros variáveis é um adicional de 4%. Diferentemente da Fase I, esse financiamento exige o envio de uma auditoria anual.

Região de Múrcia: programa Impulsa Startup

O Impulsa Startup não injeta capital diretamente. Em vez disso, ele ajuda você a encontrar investidores para sua startup. Para esse fim, ele organiza um programa de treinamento em grupo de 36 horas para empreendedores, com foco especial naqueles que estão desempregados.

Regulamentação de financiamento para startups espanholas

Em 23 de dezembro de 2022, a Lei de Promoção do Ecossistema de Startups (também conhecida como Lei de Startups) entrou em vigor, regulamentando, entre outros aspectos, os mecanismos de financiamento para startups espanholas. Preparamos um resumo das principais medidas incluídas nesta legislação:

Flexibilização dos requisitos para garantias bancárias

Algumas formas de ajuda pública condicionam a concessão de fundos ou pagamentos provisórios à provisão de garantias (como garantias bancárias), que muitas vezes são muito exigentes. A Lei de Startups permite que uma startup solicite a redução da garantia exigida em troca de uma redução proporcional no valor da ajuda ou no adiantamento de pagamento.

Por exemplo, para obter um financiamento no valor de € 50.000, uma instituição financeira pode exigir que a empresa forneça uma garantia bancária cobrindo 50% do valor (€ 25.000); no entanto, a empresa em questão só consegue fornecer 20% da garantia solicitada (€ 5.000). Nesse cenário, o valor obtido seria reduzido na mesma proporção: € 10.000 em vez dos € 50.000 solicitados inicialmente.

Para se qualificar para garantias reduzidas, a startup deve estar em dia com suas obrigações fiscais e de Previdência Social dos últimos cinco anos fiscais e não deve estar sujeita a nenhum processo de reembolso de subsídios anteriores.

Deduções fiscais

Benefícios fiscais, como deduções, são um grande incentivo para investidores. Portanto, ao buscar financiamento para sua startup, será mais fácil atrair capital se você lembrar aos investidores que eles podem deduzir 50% do dinheiro investido na sua empresa.

Essa dedução do imposto de renda de pessoa física (IRPF) pode chegar a até € 50.000 por ano (com base em um investimento máximo de € 100.000), desde que a contribuição seja feita no momento da constituição ou durante um aumento de capital em até cinco anos após a constituição; esse período é estendido para sete anos se a empresa for certificada como startup sob a Lei de Startups.

Além disso, para reivindicar esse benefício fiscal, os seguintes requisitos devem ser atendidos:

  • Limite de propriedade: A participação acionária do investidor não pode exceder 40% do capital social ou dos direitos de voto da empresa; esse percentual não pode ser excedido nem mesmo quando combinado com os investimentos do cônjuge ou de outros parentes de até segundo grau. Apenas os sócios fundadores da startup estão isentos desse limite.
  • Período de retenção: As ações devem permanecer no portfólio do investidor por mais de três e menos de 12. Se o investidor vender suas ações antes da marca de três anos, ele perderá a dedução e deverá fazer o ajuste fiscal correspondente.
  • Requisitos da empresa: A startup deve ser constituída como uma sociedade anônima (SA), uma sociedade de responsabilidade limitada (SL) ou uma versão de propriedade dos funcionários de qualquer uma delas. Além disso, a empresa não pode estar listada em um mercado organizado e deve exercer uma atividade econômica genuína usando seus próprios recursos materiais e de pessoal; em particular, sua atividade não pode consistir na gestão de um portfólio de bens móveis ou imóveis.
  • Certificação: O investidor deve obter uma certificação emitida pela própria empresa atestando a conformidade com esses requisitos durante o ano fiscal em que as ações foram adquiridas.

É importante notar que essa dedução federal é incompatível com outras deduções que as várias comunidades autônomas possam aplicar aos mesmos valores investidos. Recomendamos que você revise as condições específicas de cada transação com um assessor fiscal.

Financiamento estrangeiro

A Lei de Startups elimina o requisito de obter um Número de Identidade de Estrangeiro (NIE) para estrangeiros que desejam investir em sua startup espanhola. Em vez disso, investidores que não são cidadãos espanhóis e não residem na Espanha devem solicitar eletronicamente um Número de Identificação Fiscal (NIF).

A Agência Tributária Espanhola (AEAT) pode revogar o NIF se o comprovante de investimento em uma startup não for fornecido dentro de seis meses após sua atribuição. Além disso, se a parte que está fazendo o investimento for uma pessoa jurídica (como uma empresa estrangeira), o representante responsável pelo processo já deve ter seu próprio NIF espanhol.

Pagamentos em fases na contratação pública de inovação

A PPI (Public procurement of innovation, Contratação pública de inovação) é o processo pelo qual um órgão público contrata soluções que ainda não existem no mercado, em vez de comprar um produto que já está disponível. Isso serve como um ponto de entrada natural para uma startup que oferece uma solução para uma necessidade não atendida.

Os órgãos públicos devem levar em consideração as características das startups ao definir os requisitos de elegibilidade financeira e técnica para esses contratos (como receita mínima ou experiência prévia comprovada), para não dificultar a participação.

Além disso, quando a execução do contrato pode ser dividida em fases, o órgão público deve fazer pagamentos parciais à medida que cada fase é concluída, em vez de pagar o valor total após a conclusão de todo o projeto. Para uma startup, isso reduz a necessidade de financiar um contrato público antecipadamente usando seus próprios recursos.

Ações em tesouraria para planos de remuneração

Qualquer startup constituída como uma SL pode comprar até 20% do seu capital social para alocar aos seus diretores, funcionários ou outros colaboradores, desde que o objetivo seja implementar um plano de remuneração. Para isso, várias condições devem ser atendidas:

  • O sistema de remuneração deve estar previsto no estatuto social da empresa.
  • A assembleia geral deve aprovar o plano e determinar o número máximo de ações a serem alocadas em cada exercício financeiro, seu valor de referência e a duração do plano.
  • As ações adquiridas pela empresa devem ser integralmente pagas pelos seus detentores.
  • A compra não pode ser financiada com capital social ou reservas que a empresa está proibida de distribuir.
  • A autorização concedida pela assembleia geral expira após cinco anos; se a empresa não tiver comprado as ações dentro desse período, ela deve aprovar uma nova resolução.

Concessão de ações aos funcionários

Embora não seja uma fonte direta de financiamento, as startups podem reduzir os custos de folha de pagamento pagando uma parte da remuneração dos funcionários em participação na empresa. A Lei de Startups facilita a concessão de ações aos funcionários por meio das seguintes medidas:

  • Limite de isenção fiscal: O limite anterior de € 12.000 foi aumentado para € 50.000, o que significa que nenhum imposto é cobrado sobre os primeiros € 50.000 do valor das ações recebidas.
  • Tributação: A tributação sobre o valor que excede o limite de € 50.000 pode ser adiada por até 10 anos. Além disso, é possível adiar o pagamento de impostos até que as ações sejam vendidas ou comecem a ser negociadas na bolsa de valores.
  • Flexibilidade: As ações podem ser concedidas aos funcionários sem exigir que todas as transações tenham os mesmos termos e condições.

Fatores principais para garantir financiamento para startups na Espanha

O processo para garantir financiamento varia bastante devido à ampla gama de instrumentos de financiamento disponíveis na Espanha. Por exemplo, entender como garantir financiamento de venture capital pode ser fundamental para uma startup: segundo a SpainCap, 408 startups espanholas receberam um total de € 1,1 bilhão em investimentos de venture capital em 2024.

Seja qual for a sua situação, há algumas práticas comuns que facilitam o acesso a todos os tipos de financiamento para startups na Espanha:

Participação em um setor altamente atrativo

Os investidores fazem análises para garantir que uma startup será bem-sucedida e gerará um bom retorno. Nesse sentido, uma das chaves para garantir financiamento é simplesmente operar dentro de um setor inovador, impulsionado pela tecnologia e com alta demanda.

De acordo com dados compartilhados pelo Escritório Nacional de Empreendedorismo (ONE) da Espanha, as startups do setor de viagens receberam o maior volume de investimentos em 2025, superando os setores de fintech e tecnologia em saúde pela primeira vez em vários anos.

Leia com atenção as regras de cada edital

Embora muitos programas de financiamento compartilhem requisitos semelhantes (e até mesmo forneçam quantidades comparáveis de capital para startups), os termos jurídicos (como as condições para o reembolso da injeção de capital) variam significativamente.

A sexta disposição adicional da Lei Geral de Subsídios estabelece que empréstimos sem juros ou com taxas abaixo do mercado (como os empréstimos participativos da Enisa) são regidos por regulamentações próprias. Portanto, é necessário ler com atenção os termos e condições de todos os editais para evitar concordar com termos que não sejam benéficos para a sua startup.

Negocie os termos

Às vezes, é difícil encontrar um equilíbrio entre os interesses da startup e os incentivos do investidor. Por esse motivo, é importante negociar termos que sejam atraentes para ambas as partes, especialmente a médio e longo prazo. Se o acordo envolver uma perda excessiva de controle sobre a empresa, é aconselhável que a startup abra mão do negócio e opte por um instrumento de financiamento diferente.

Planejamento antecipado para a due diligence

É comum que o financiamento seja retido até que a due diligence seja concluída. Portanto, é importante que o fundador da startup antecipe esse processo para que possa agilizá-lo, se possível, e garantir a injeção de capital sem atrasos.

Para se preparar de forma eficaz para a due diligence, é aconselhável elaborar relatórios financeiros precisos e transparentes, bem como uma análise de mercado, para que as instituições financeiras possam revisar os dados sobre a escalabilidade e as vantagens competitivas da startup.

Perguntas frequentes sobre financiamento de startups na Espanha

O conteúdo deste artigo é apenas para fins gerais de informação e educação e não deve ser interpretado como aconselhamento jurídico ou tributário. A Stripe não garante a exatidão, integridade, adequação ou atualidade das informações contidas no artigo. Você deve procurar a ajuda de um advogado competente ou contador licenciado para atuar em sua jurisdição para aconselhamento sobre sua situação particular.

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